De súbito, a caminho de casa, lágrimas de raiva e despeito saltaram-lhe dos olhos. Era um choro nervoso e sem sentido, odiava a si mesmo e o que fizera. Tudo aquilo, afinal, para quê? Tanto sacrifício! Perdera tempo, esquecera os amigos, os livros, a literatura quase que de todo abandonada. Sentou-se num banco da Praça, buscou acalmar-se olhando os jardineiros que, indiferentes, aparavam a grama no jardim. Eles, sim, sabiam viver. Nenhuma pressa, nenhuma aflição: obedeciam o ritmo que lhes era imposto, harmonizavam-se à ordem das coisas ao redor. Era como se ele, apenas ele, excendendo-se a si mesmo, num movimento brusco saltasse fora da engrenagem e, desgovernado, pudesse ver de longe o mundo pacífico e feliz de que não sabia participar.
[Fernando Sabino também tinha um encontro marcado.]
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